Monday, July 7, 2008

Até sempre...

Pois é...

As pessoas marcam-nos por tudo o que fazem quando estão connosco... Quando sorreim, quando gritam, quando param para nos ouvir ou nos ignoram... Tudo conta!

As palavras do mais letrado sábio, tal como as do mais simples homem da terra... Tudo conta!

O que vem escrito nos livros da escola e o que vem nos livros da vida, tudo conta!

Conta a forma como aceitam as nossas críticas e como aceitamos a de todas as pessoas... Conta a forma como nos fazem sentir parte envolvente e como nos escutam, por acreditarem em nós... Tudo conta!

Conta a humildade com que nos acolhem e a forma como nos respeitam, até mesmo a forma como às vezes nos destratam conta, conta para sermos melhores, para não tratarmos os outros da mesma forma... Tudo conta!

Conta o gesto de carinho e a palavra de amor, conta o sorriso triste de quem está doente e o gemido de dor de quem sofre... Tudo conta!

Conta a partilha e o estar por perto... Tudo conta!

Conta cada minuto que vivi neste serviço, conta cada minuto que passamos juntos, conta o parabéns, o "és fantástica" o "espetaculo" e tudo mais... Contam os momentos...

Sou melhor pessoa todos os dias por tudo isto...

E por tudo isto, OBRIGADA!!!

Até sempre....

Sunday, June 29, 2008

Porque sim...

Como podemos nós ser tão diferentes aos nossos olhos e aos olhos de quem nos vê, por fora...

Como podemos nós ser tão ambiguos que uns nos pensem 100 e outros nos pensem 0,001...

Pergunto-me quando irei equilibrar o que vejo em mim com o que é visto pelos outros...

Mas se por vezes me preocupa pensar nesta diferença, que pode deixar maus entendidos e más impressões, por outras vezes penso que nada melhor que "não ser o que se vê à superfície", dou apenas aos que amo a oportunidade de chegar mais além, de me conhecerem como sou e não como sou vista...

Atormenta-me pensar nesta diferença e em como ela pode ser enganadora... ou confusa, ou qalquer outra coisa que não o que quero que seja...

Monday, June 2, 2008

a linha ténue... no horizonte...

Não nos podemos esquecer que todos somos suficientemente frágeis para que um dia, tudo desmorone... Sem darmos conta, sem estarmos à espera... Do azul do céu ao verde do mar bravio, nesse olhar que tantas vezes foi mais e melhor para mim e para o outro... Desse azul e verde carregado de ternura e alegria que transporta desmoronou a profundidade de ser humano com dignidade e de poder dormir tranquila ao fim do dia...

Mas não durma demais, acorde que precisamos de si e mais que todos os que têm o prazer de a conhecer, tem 3 tesouros que a esperam, com a ternura que lhes ensinou e que partilha com quem ama...

Acorde e faça-nos a gentileza de ser feliz e continuar a ser o exemplo que é e a amiga, mais velha e experiente, que adivinha o dia certo para ligar... Porque sente, sem saber como, que alguém está a precisar...

Acorde que a dor é grande e precisamos de si na consulta...
Acorde que tenho saudades das suas perguntas e da forma como sempre me fez pensar em tudo e por em causa cada passo, na certeza de que assim, poderei melhorar um pouco todos os dias...

Acorde, porque a tenho no coração e a vejo como uma amiga... E como com qualquer outro amigo, preciso de sabê.la bem, para estar também eu bem...

Acorde que a vida está todos os dias a começar e para si terá tantos sorrisos...

Acorde e deixe-nos ser felizes com a sua presença...

A "menina Rita" ou a (quase) "Cara colega"... Simplesmente a amiga mais nova... Um abraço

Sunday, May 11, 2008

(in)sensibilidade...

Se não estás lá porque tenho eu de te pensar amigo(a)?

Se não me apoias incondicionalmente porque tenho eu de te pensar amigo?

Se não te preocupaste comigo porque tenho eu de te pensar amigo?

Se já não sinto por ti a preocupação e carinho que sentia porque tenho eu de te pensar amigo?

Se estamos juntos apenas quando há um esforço atrós e nenhum de nós está realmente a querer estar ali porque tenho eu de te pensar amigo?

Se passam-se semanas sem que haja o minímo esforço para nos vermos e sabermos das coisas de cada um porque tenho eu de te pensar amigo?

Sim, posso parecer insensivel... Mas será melhor viver na hipocrisia de fingir ser amiga de quem já não sinto ser? E de quem sinto já não ser meu?

Amigo: aquele ser estranho que pergunta como estou e quer mesmo saber a resposta... Mais é aquele que não deixa que a amizade viva em função do vento... Sopra para que ela não páre...

Tuesday, May 6, 2008

Porque às vezes bate a saudade...

Já faz algum (muito) tempo que não me manifestava neste meu espaço de partilha...
Confesso que me tenho sentido vazia de coisas para partilhar, ao mesmo tempo que tenho vivido tantas emoções...

Na verdade, aliado a um sem fim de voltas que tudo já deu na minha vida, está um misto de expectativa e melancolia que me fazem não querer parar e pensar, ou melhor, parar e assumir que penso em tudo isto...

Sim, a mágoa que guardo e que tanto me tem feito sofrer não se apagou... Nem sei se vai apagar-se... Quando vamos conversar? Será que vamos magoar-nos mais nos pequenos gestos não feitos, de todos os dias? Quando vais assumir o teu papel e puxar por mim? quando vais poder ouvir-me? Quando é que eu consigo olhar objectivamente para tudo isto? Quando serei eu capaz de não te culpar? Será que esse dia demora? Já está a doer muito... Mais do que eu pensei que fosse doer...

Mas tirando esta mágoa, que é mais uma companhia de sempre, penso na fase que termino, os abraços que parecem ser os últimos de sempre, os momentos sentados numa secretária de escola, que não mais serão iguais... Enfim, um sem número de momentos que até aqui pareciam repetir-se eternamente e que hoje são únicos e vividos de forma tão intensa...

Já sinto saudade dos dias de chegar á escola e ter um rosto amigo junto à maquina de café... Ou até mesmo um "madrinha, que saudades" sinto que quando deixar aquele corredor tão cheio de vida vou ficar desamparada... Presa a um sem fim de recordações que vou ter de guardar na caixinha e guardar junto ao peito... Vão terminar os encontros pelos corredores com os professores, com as amigas que trabalham no sector académico... Espero nunca me esquecer de todos os sorrisos e todos os olhares que trocamos e que nos fizeram pertencer á vida uns dos outros...

A sala da AE, onde tantas vezes fiquei até se perder o tempo... Onde tive discussões marcantes, onde se pensaram e realizaram projectos e sonhos e onde descobri amigos que vou guardar para sempre no meu peito... No desespero, na dúvida, nos momentos de maior angústia... A grande parte dos meus 4 anos passados decorreram também neste pedaço de escola, que tantas vezes é ridicularizado... Nesta metade de corredor vivi as mais emocionantes experiências, disse asneiras, chorei, tive conversas sérias e sorri muito... Fofocamos, rimos e apreciamos a vida na mais pura beleza da sua existência... Nesta escola que quase me deixa partir, estive de corpo e alma, partilhei com as minhas meninas os meus medos, angústias e ainda hoje lembro os dias de exame prático, em que tudo era um stresse e em que todos estavamos unidos por um desejo...o de passar!!!

Pode este ser um texto confuso, porque fala de tanta coisa diferente da minha vida... e tanta coisa da minha vida está por dizer... Mas é um texto de sentir, de viver e de fechar os olhos e perceber que naquelas paredes, naqueles bancos de escola, se viveram tantas coisas e independentemente do que elas foram ou são... Eu estive lá e vivi, de facto, tudo o que lá se passou e passa... Não quero fechar a porta... preciso acreditar que é apenas um até já, mas desta vez para um rumo diferente...

chorando sobre as teclas...

até já...

Thursday, February 7, 2008

As Palavras que não existem, mas que queria tanto dizer…

O contacto com as pessoas de quem cuido e com as suas famílias é sempre uma das mais importantes etapas da minha aprendizagem em Ensino Clínico.

As pessoas que se encontram internadas na UCI estão, por norma, em situações muito frágeis de saúde. Todos os dias são batalhas e as certezas são muito limitadas no tempo. A verdade é que, por vezes, mesmo com todos os procedimentos e todos os cuidados prestados, o organismo não responde, ou demora a responder. Não há duas pessoas iguais, não há duas respostas iguais ao tratamento e aos cuidados instituídos. Feliz ou infelizmente (dependendo dos casos) o que é verdade hoje amanhã pode já não ser…

Para além da dificuldade que pode ser não dar informações que fogem da nossa área de competência, na UCI acresce-se a dificuldade de não poder dizer o que os familiares querem ouvir. Às vezes o desespero de ouvir que vai ficar tudo bem é tão evidente que torna-se difícil contornar as palavras… A verdade é que não se sabe se vai ficar tudo bem, a verdade é que pode mesmo não estar tudo bem e conseguir dar força às famílias sem lhes dizer mentiras ou iludi-las com realidades demasiado hipotéticas pode ser um exercício muito complexo e muito doloroso a nível emocional. É necessário conhecer bem os limites da informação a dar e também a forma como se pode, dizendo a verdade e explicando a situação geral da pessoa, deixar menos inquietas e mais confortadas as famílias das pessoas cuidadas. Descobri, ou redescobri, como pode ser importante apenas ouvir, escutar, mostrar interesse em saber quem é a pessoa, quem são os filhos e netos, as histórias de uma vida, o amor de tantos anos, que continua ali, agarrado à mais forte das esperanças, da fé de que não é já que “a morte os vai separar”.

A primeira reacção é fugir, não tenho dúvidas de que qualquer humano que se depare com este desafio, não tenha como reacção escapar do momento… Mas depois de parar para respirar e reflectir sobre a situação enfrenta-se o medo e descobrem-se coisas fantásticas na relação com o outro.

A experiência que tenho tido com as famílias das pessoas de quem cuido na UCI tem sido muito interessante. A última vez que estive com a esposa do Sr. A emocionei-me. O Sr. A tem uma patologia cardíaca, que agudizou e o levou para a cardiologia. Entretanto o Sr. necessitou de suporte ventilatório e foi transferido para a UCI. Tem uma família grande o Sr. A, com muitas crianças e com alguns momentos de dor, já passados (o Sr. perdeu um dos seus filhos à anos atrás). Ao contactar com a esposa do Sr. percebi o tamanho do amor que os unia. Emocionei-me pela força e preserverança daquele amor, daquela Senhora, que enquanto tenta ter forças para manter viva a esperança, mantém viva a união da família que construiu com o seu marido.

Conversar com esta senhora ajudou-me a compreender a importância do gesto de estar ali, mais que aquilo que podia dizer, foi importante pelo que pude ouvir e pelo que deixei que partilhassem comigo. Esta é uma história que parece encaminhar-se pela positiva, o Sr. teve alta do serviço e irá continuar, por mais uns tempos, a viver o amor da sua família. Outras são as histórias em que é preciso conter as ilusões, chamar à realidade, deixar que a pessoa perceba a importância de viver um passinho de cada vez…

Como ainda estou a viver tudo isto é difícil discernir, reflectir desde já sobre as aprendizagens a retirar. Percebi que tinha medo disto, mas que estou a ser capaz de enfrentar os desafios.

Percebi também que não me quero defender de algumas histórias das pessoas que se cruzam comigo. O amor que conheci do Sr. A e da sua família emocionou-me, é certo, mas fez-me ver como existem pessoas felizes e que encontram o equilíbrio nas suas vidas, e parece-me que ser Enfermeiro, também é, ser pessoa e viver das emoções dos momentos que, na sua simplicidade nos preenchem a alma e nos fazem desejar continuar o caminho…


Setúbal, 2 de Dezembro de 2007

E.E. Rita Santiago

Thursday, January 17, 2008

Pensar enquanto se vive

Os jovens são irreverentes e muitas vezes inconscientes. Esta é uma ideia que já todos consideram comum... Os próprios jovens acham que não é nada de especial, fazer certas loucuras, exactamente porque são jovens...

Ora não é bem assim... As loucuras podem deixar marcas para toda a vida, pior, podem mudar-nos a vida, podemos passar de um futuro em aberto, cheio de esperança, expectativas, sonhos, a uma porta fechada, um quarto escuro, uma luz pendurada, fechados no nosso próprio corpo, sem saber que acabou tudo para cada um de nós...

É verdade que os riscos servem para podermos avançar... Mas então, corramos apenas os riscos que valem de facto a pena... Não nos percamos em coisas que pouco ou nada nos trarão de bom...

ganhemos amor pela nossa vida e vivamo-la em harmonia e saúde...

Para ti, que nem me conheceste e me marcaste tanto! Que tenha valido a pena o risco que te deixou onde estás...