"(...) - Uma ovelha come tudo o que encontra.
- Mesmo flores com espinhos?
- Sim. Mesmo flores que têm espinhos.
- Então para que servem os espinhos?
Eu não sabia. (...)
- Para que servem os espinhos?
O Principezinho, quando fazia uma pergunta, não mais desistia dela. Irritado com o parafuso, respondi uma coisa qualquer:
- Os espinhos não servem para nada, é pura maldade da parte das flores!
- Oh!
O Principezinho ficou calado por um momento; depois atirou-me, com uma pontinha de rancor:
- Não acredito. As flores são fracas. São ingénuas. Tranquilizam-se como podem. Julgam-se terriveis com os seus espinhos...
Não respondi. Naquele instante dizia para comigo: «se este parafuso continua a resistir, rebento-o com uma martelada».
O Principezinho interrompeu outra vezos meus pensamentos:
- Ejulgas tu que as flores...
- Nada disso! NAda disso! Não julgo nada. Respondi à toa. Eu cá trat0 de coisas sérias!
Olhou para mim espantado.
- De coisas sérias!
Via-me com o martelo na mão e os dedos negros de óleo, inclinado sobre um objecto que lhe parecia feíssimo.
- Estás a falar como as pessoas crescidas!
Fiquei um tanto envergonhado. Mas ele acrescentou, impiedosamente:
- Estás a confundir tudo... a misturar tudo!
Estava deveras irritado. sacudiu ao vento os cabelos dourados.
(...)"
Saint-Exupéry - O Principezinho
Saturday, September 22, 2007
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1 comment:
"- Eu conheço um planeta onde há um sujeito vermelho, quase roxo. Nunca cheirou uma flor. Nunca olhou uma estrela. Nunca amou ninguém. Nunca fez outra coisa senão somas. E o dia todo repete como tu: "Eu sou um homem sério! Eu sou um homem sério!" e isso o faz inchar-se de orgulho. Mas ele não é um homem; é um cogumelo!"
Desculpa, não resisti:P
É deveras um livro para qualquer idade. Cada vez que o leio, interpreto as coisas de outra perspectiva!
Que a maneira com que olhas se reflita na maneira como vives...
*
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